Marcos Telles e a sua Invocação do Mal

Analisei muito se deveria ou não me posicionar acerca da música demoníaca do cantor Marcos Telles, Auê (A Fé Ganhou). Conversando com meu irmão Marcelo, ele me orientou sobre a necessidade de expor o que penso. No final desse texto faço uma análise da letra. Então, vamos lá.


Eu, como cristão, não consigo ouvir essa música do “pastor Marcos Telles”, pastor com todas as aspas, que cita Zé (Pilantra) e Maria (Padilha), sem sentir que um limite muito sério foi ultrapassado dentro da fé cristã. Não é questão de gosto musical, nem de estilo, nem de “liberdade artística”. Para mim, isso toca em algo muito mais profundo: valores espirituais, fidelidade à doutrina e responsabilidade de quem se coloca como líder espiritual.

O cristianismo não é uma colagem de crenças, não há espaços para sincretismos, nem um terreno neutro onde tudo pode ser misturado em nome da cultura. Eu creio que a fé bíblica não combina com elementos de cultos espirituais que carregam significados opostos ao Evangelho. Zé Pilantra e Maria Padilha, para mim, não são apenas figuras folclóricas inocentes, mas entidades malignas associadas a práticas e rituais que a própria Escritura reprova com clareza. Não é preconceito com as religiões de matrizes africanas, é em defesa do Evangelho que eu creio: centrado em Jesus Cristo, apenas.

Quando um “pastor” decide colocar esse tipo de referência em uma música “cristã” que vai circular entre “cristãos”, eu não vejo isso como um simples “recurso artístico”. Vejo como uma mensagem confusa e espiritualmente perigosa. A Bíblia afirma que não há comunhão entre luz e trevas, nem acordo entre Cristo e Belial, e eu levo isso a sério. Em matéria de adoração e ensino espiritual, na minha visão, não existe zona cinzenta confortável.

O argumento de que “tudo não passa de linguagem cultural, ironia ou estratégia para alcançar mais gente”, sinceramente, não me convence. Quando olho para o Novo Testamento, não vejo o apóstolo Paulo tentando tornar o Evangelho mais atraente incorporando símbolos pagãos.


Pelo contrário, ele chama a igreja a fugir da aparência do mal e evitar aquilo que possa gerar escândalo ou confusão entre os irmãos.


Se é para levar ao pé da letra, a Bíblia nos orienta a fugir da aparência do mal. Ao afirmar que a música não fala de entidades, ainda assim se deixou brecha e margem para esse tipo de especulação. Só por isso, ela já deveria ter sido evitada. Fugi da aparência do mal. 1 Tessalonicenses 5:22 “Abstende vos de toda aparência do mal.”

“Zés e Marias” não são entidades, mas pessoas? Ah, me poupe, Marcos…

Eu enxergo a música cristã como algo muito além de entretenimento. Ela é para adorar ao Senhor, ela ensina, molda a teologia de quem canta e de quem ouve, influencia a forma como as pessoas enxergam Deus, a fé e a vida espiritual.

Quando nomes ligados a entidades estranhas ao cristianismo começam a aparecer com naturalidade em músicas ditas evangélicas, o que eu vejo é o enfraquecimento do discernimento espiritual e o esvaziamento da fé bíblica.

Penso também em quem está chegando agora na fé ou vem de contextos espiritualistas. Para essas pessoas, esse tipo de referência não traz clareza, traz confusão. Em vez de indicar ruptura com práticas antigas, pode sugerir que tudo é compatível, que dá para manter uma espécie de continuidade espiritual que não combina com o chamado bíblico ao arrependimento e à transformação de vida.

Na minha compreensão, um “pastor” não é apenas alguém com boa comunicação ou carisma. Ele é guardião da doutrina, zelador da verdade e referência pública. Quando esse papel é flexibilizado em nome de engajamento, relevância ou inovação, o que sobra é uma igreja cada vez mais rasa, emocionalmente manipulada e distante das Escrituras.

Eu realmente creio que a fé cristã não precisa flertar com outros símbolos espirituais para ser relevante. O Evangelho, por si só, é suficiente, atual e poderoso. Cada tentativa de misturá-lo com referências espirituais estranhas não amplia sua força; na minha opinião, apenas dilui sua verdade.

Por isso, considero urgente que igrejas, líderes e membros voltem a tratar com seriedade temas como discernimento espiritual, santidade e separação doutrinária. A música cristã, ao meu ver, precisa voltar a ser um espaço de exaltação clara a Cristo, e não um território de ambiguidades espirituais que mais confundem do que edificam. Permanecer em silêncio diante desse tipo de desvio, na minha consciência, não é sinal de maturidade nem de tolerância, é sinal de conivência.

POR QUE EVITEI ME POSICIONAR?

Acredito, de forma muito intrínseca, que existem pessoas e almas para as quais já não há retorno. Não porque Deus seja limitado em misericórdia, mas porque elas próprias cruzaram uma linha, ultrapassaram um limite espiritual profundo. Para essas pessoas, não há mais sensibilidade, arrependimento genuíno ou abertura para a verdade. E não falo aqui especificamente do pecado contra o Espírito Santo, citado nas Escrituras como imperdoável. Refiro me ao que o apóstolo Paulo descreve em Efésios quando fala de mentes endurecidas, insensíveis, calcificadas pelo pecado.

Paulo descreve pessoas que perderam a capacidade de discernir o certo do errado, que já não sentem peso na consciência e vivem entregues a uma vida de engano deliberado. Não é ignorância espiritual. É rejeição consciente da verdade. O pecado repetido, aceito e justificado endurece a mente, anestesia a alma e cria uma barreira quase intransponível entre o indivíduo e o arrependimento verdadeiro.

É preciso entender que esse endurecimento não acontece de forma repentina. Ele é fruto de escolhas contínuas, da recusa sistemática em ouvir a verdade e da substituição da consciência por narrativas que confortam o erro. Quando a mente chega a esse estado, a pessoa já não busca a luz porque passou a amar as trevas. Esse é um alerta sério, bíblico e urgente, tanto para quem ensina quanto para quem ouve. O pecado tolerado hoje pode ser a cegueira espiritual irreversível de amanhã.

DEUS É MISERICORDIOSO, MAS TAMBÉM É JUSTO E FOGO CONSUMIDOR

A Bíblia ensina que existem pessoas que chegam a um estado de endurecimento tão profundo que já não respondem mais ao arrependimento. Não porque Deus deixou de ser misericordioso, mas porque elas rejeitaram de forma consciente, contínua e deliberada a verdade.

Alguns textos bíblicos tratam diretamente desse tema.

Hebreus 6:4 a 6
“Porque é impossível que aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, se tornaram participantes do Espírito Santo, provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro e caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento, pois para si mesmos crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem à ignomínia.”

Esse texto não fala de um erro isolado, mas de uma rejeição consciente e persistente após pleno conhecimento da verdade.

Hebreus 10:26 e 27
“Porque se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo.”

Aqui o problema não é o pecado em si, mas a prática deliberada e contínua, sem arrependimento.

Efésios 4:18 e 19
“Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido toda sensibilidade, se entregaram à dissolução.”

Esse texto descreve exatamente o que muitos chamam de mentes calcificadas pelo pecado. Pessoas que perderam a sensibilidade espiritual.

Romanos 1:28
“E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a uma mente reprovável.”

Não é Deus quem abandona primeiro. É o homem que rejeita a verdade até chegar a um ponto de cegueira espiritual.

A Escritura deixa claro que esse estado não acontece de forma repentina. Ele é construído ao longo do tempo, por escolhas conscientes, pela rejeição contínua da correção e pela normalização do pecado. O alerta bíblico não é para gerar desespero, mas temor. O coração que hoje resiste à verdade pode amanhã já não ser mais capaz de reconhecê-la.

VALE APENA OUVIR ESSA “MÚSICA”?

Diante de tudo o que foi exposto, a resposta é simples e honesta: não. Não vale a pena ouvir essa aberração.

Não agrega espiritualmente, não edifica, não glorifica a Deus e ainda abre margem para confusão, escândalo e relativização do discernimento cristão.

Quando algo precisa ser excessivamente explicado para não parecer errado, é porque já falhou no princípio bíblico básico de fugir da aparência do mal.

O cristão não é chamado a testar os limites, mas a preservar a consciência, a fé e a fidelidade à verdade.

Léo Vilhena




TERMOS:

1 – “Auê” na macumba ou em contextos de terreiro (Umbanda/Candomblé) refere-se a uma grande festa, agitação, alegria ou tumulto festivo, funcionando como um termo de exaltação, reverência ou comemoração energética. Também pode significar um alvoroço provocado por música e dança, comum em rituais de celebração. 

2 – A expressão “emolêbamemoê-ê-êna” aparece em contextos de música de terreiro, especificamente em pontos cantados de Umbanda e Candomblé que celebram a cultura de matriz africana, muitas vezes associada a orixás ou entidades como Exu e Pombagira.

3 – Criança – ‘Erê’ é uma entidade associada à figura de criança.

4 – O termo “ciranda da fé“. A ciranda da fé, dentro da macumba do candomblé e da umbanda, está associada a rituais, cantos e manifestações espirituais próprias dessas religiões de matriz africana, envolvendo entidades cultuadas nesses sistemas de crença. 


A vestimenta da cantora é coincidência? O “colar” do “pastor” é uma guia?

LETRA

Pode entrar, eu ouvi, alagou o olhar
Quando o lustre tá no chão, onde os meus estão?

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas (*Adoração?)
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas (*Adoração?)
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Auê (auê, auê, auê, auê, auê)
(Auê, auê, auê)

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas (*Adoração?)
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Agora que o Zé (Pilintra) entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o Céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria (Padilha) sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o Céu coloriu

Agora que o Zé (Pilintra) entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o Céu se abriu

Agora que a fé ganhou e a Maria (Padilha) sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o Céu coloriu (mas o Céu coloriu)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu (que te abriu) as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora (e agora), e agora (e agora)

Auê, dança na ciranda da fé (a fé)
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê (emolêbamemoê-ê-ê)
Dança na ciranda da fé (emolêbamemoê-ê-ê)
Que te abriu, abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em (explodir) glória (emalêbamemoê-ê-ê)


PRESTE MUITA ATENÇÃO:

Minha análise não consiste em preconceito religioso, mas na defesa da minha fé.

A Constituição Federal de 1988 garante a liberdade religiosa no Brasil, ao estabelecer no artigo 5º, incisos VI, VII e VIII, a inviolabilidade da consciência e da crença, o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos seus locais de oração. O Brasil é um Estado laico, neutro e sem religião oficial, o que implica a proibição de qualquer forma de discriminação ou embaraço ao funcionamento dos cultos.

Entre os principais pontos da Constituição sobre a liberdade religiosa, destaca se a inviolabilidade prevista no artigo 5º, inciso VI, que assegura a liberdade de consciência e de crença, bem como a proteção aos locais de culto e às suas liturgias. Isso significa que toda manifestação de fé, inclusive o direito de discordar, criticar e se posicionar de forma fundamentada, está amparada pela lei, desde que não haja incitação ao ódio ou à violência.

É importante afirmar que defender a própria fé não é atacar a fé do outro. O debate religioso, quando feito com argumentos, respeito e base constitucional, é parte legítima da liberdade de expressão e da liberdade de consciência garantidas em um Estado democrático de direito.

Em seu Artigo 5º, inciso IV, garantindo a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que proíbe o anonimato. 
O texto constitucional diz: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;” .

Autor

  • Sobre o autor

    Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.

    Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.

    Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.

    Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.


    "Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"


    NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.

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