Ontem (11), escrevi um post onde afirmei que eu tinha me equivocado tanto em relação ao entre aspas o tímido e injustiçado coronel Mauro Cid.
Às vezes a gente se surpreende com a capacidade que algumas pessoas têm de manipular narrativas. É curioso como certas figuras se escondem atrás de uma aparência tranquila, quase teatral, enquanto arquitetam algo que mais tarde vem à tona com força.
A verdade é que ele nunca foi um delator. Ele foi a cabeça da chamada minuta do golpe, percebeu que tinha feito besteira e saiu distribuindo culpas, acusando todo mundo. Agora fica clara a motivação de tantas versões.
Quando alguém muda demais a própria história é porque já perdeu o controle da própria consciência. Quem vive de mentira sempre tropeça no próprio enredo.
Ele mesmo acabou se perdendo na própria mentira. A queda de uma máscara costuma ser mais barulhenta do que o aplauso de uma plateia inteira. A verdade tem o hábito de aparecer de repente, muitas vezes sem avisar, e quando surge desmonta qualquer fantasia construída às pressas.
Conseguiu enganar a muitos, mas não enganou o advogado criminalista Jeffrey Chiquini. Esse sim não caiu na armadilha vendida por Cid de que o diabo não existe.
Quando alguém tenta convencer o mundo de que o mal é apenas uma invenção, geralmente está tentando se livrar da própria sombra.
O diabo existe sim e neste caso atende pelo nome de coronel Mauro Cid. A realidade não poupa quem insiste em brincar com ela.
A verdade pode ser dura, mas sempre chega com a força de quem não deve nada a ninguém.
Léo Vilhena





