O caso envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Banco Master ultrapassou há muito tempo o limite do aceitável em uma democracia que se pretende séria e funcional. Não se trata mais de uma controvérsia jurídica pontual nem de uma divergência técnica comum ao ambiente do Judiciário.
O que está em jogo é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal e, por consequência, a confiança da sociedade nas instituições que deveriam zelar pela lei e pela moralidade pública.
Os próprios investigadores reconhecem que a situação é insustentável. Esse diagnóstico é grave porque parte de quem acompanha o caso de dentro, conhece as ramificações das apurações e sabe que os fatos não estão confinados ao Supremo.
Há investigações em andamento fora do controle direto do ministro, inclusive em São Paulo, envolvendo estruturas financeiras e fundos que podem, a qualquer momento, trazer novas revelações. Isso desmonta qualquer tentativa de contenção política ou jurídica do escândalo.
A permanência de Toffoli à frente do caso não apenas agrava o desgaste pessoal do ministro como expõe o STF a um risco institucional evidente. Quando investigadores alertam que o tribunal pode ser arrastado para a lama, não se trata de retórica alarmista.
É um aviso claro de que a insistência em manter tudo sob o tapete pode transformar um problema individual em uma crise sistêmica, com efeitos duradouros sobre a imagem da Corte.
A chamada saída para baixo, com o envio do caso à primeira instância, surge como uma solução mínima e pragmática. Não é elegante, não é honrosa e não repara os danos já causados.
Mas é o básico do ponto de vista jurídico e institucional. Retira o ministro do centro do furacão e reduz a percepção de conflito de interesses, ainda que tardiamente.
O silêncio, a demora e a tentativa de blindagem apenas reforçam a sensação de impunidade que corrói o país há décadas. O Brasil não suporta mais a lógica de que autoridades estão acima do escrutínio público.
A atuação de Dias Toffoli nesse caso é condenável não apenas pelos fatos em apuração, mas pelo efeito corrosivo que produz sobre a confiança popular. Preservar instituições não significa proteger indivíduos. Significa, antes de tudo, agir com transparência, responsabilidade e respeito à sociedade.
