Sou no máximo, um burrinho esforçado

Me chamam de inteligente, outros de muito inteligente, e já houve quem exagerasse e me chamasse de gênio. Muitos atribuem esse “talento” ao jornalismo, ao “gênio” da tecnologia ou ao doutor em psicologia.

É bacana ouvir esses elogios? Claro que é! Mentirosa é a pessoa que afirma que esse tipo de elogio não nos deixa envaidecidos.

Mas esse não é o ponto. Será que isso é verdade? Será que retrata a realidade?

Eu garanto que não. Estou longe de ser um gênio. No máximo, um burrinho esforçado, que adora ler e escrever. E explico por que digo isso com tanta veemência.

Não sou inteligente, não sou muito inteligente e sequer um gênio, porque não consigo entender nem processar como um homem, falo de raça e não de gênero, consegue estuprar uma mulher e, pior ainda, uma criança. Isso simplesmente não entra na minha cabeça. Costumo usar uma figura de linguagem: muitas mulheres sentem dores durante o sexo anal, imaginem a dor de uma criança que possui o ânus, anatomicamente, extremamente menor do que de uma mulher adulta?

É um ato criminoso. É um ato covarde. É um ato de uma pessoa com um caráter deformado, uma pessoa muito ruim, e isso não tem nada de demônio

Nos anos 90, fiz parte de uma determinada corporação de segurança de um estado da federação, e em um ato legal e constitucional, meu remorso é ter enviado poucos para o colo do capeta. Estuprador não é ser humano. Veio para o confronto? Foi pra vala…

Ou, espancar uma mulher ou uma criança, bater a ponto de machucar, ou trair a esposa. Nada disso entrará na minha lápide. Não consigo entender como existem pessoas capazes de fazer isso.

A mulher confia em você, deixa a segurança da casa dos pais, escolhe dividir a vida ao seu lado e, ainda assim, você é capaz de trair a confiança e o amor dela.

Isso simplesmente não entra na minha cabeça. O mesmo vale para a mulher que faz isso com o marido, pois a quebra de confiança destrói lares, corrói a dignidade e deixa marcas que nem o tempo consegue apagar.

Ou como um homem ou uma mulher conseguem matar animais ou praticar zoofilia. Zoofilia é…

Ou ainda, como homens ou mulheres, concordando ou não com escolhas e orientações sexuais, maltratam e desrespeitam alguém apenas por ser diferente. Cada um escolhe o que deseja ser…

A pessoa se identifica como uma galinha? E eu com isso?

E os racistas? Prefiro nem comentar.

Entenderam por que de inteligente, muito inteligente ou de gênio eu não tenho nada?

Talvez a verdadeira inteligência não esteja em títulos, rótulos ou elogios fáceis, mas na incapacidade de normalizar a crueldade e a incapacidade de compreender aberrações.

Se for isso, sou de fato um gênio.

Talvez, indignar-se com o que é injusto e não aceitar o mal como algo comum seja visto como fraqueza por alguns, quando na verdade é um sinal de humanidade e inteligência.

Se ser inteligente significa justificar atrocidades, relativizar crimes ou aprender a conviver com a barbárie, então prefiro mesmo continuar sendo apenas alguém que lê, escreve, questiona e se recusa a entender o que jamais deveria ser compreendido. Nada do que abomino ou condeno, fiz, faço ou farei… Jamais, e nisso tenho paz...

Léo

Autor

  • Sobre o autor

    Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.

    Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.

    Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.

    Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.


    "Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"


    NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.

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