Estou lendo comentários a favor e contra Sarah, mãe das crianças de Itumbiara (GO). Da mesma forma, vejo muitos comentários condenando a atitude do pai, o desprezível Thales. Mas também há quem defenda os assassinatos que ele cometeu contra os próprios filhos, como forma de punir e atingir a suposta infidelidade da mãe.
Filhos. Nenhuma dor justifica a morte de filhos inocentes.
Nada, absolutamente nada, justifica o que esse “pai” fez. Nada. As crianças não tinham qualquer relação com as crises entre ele e sua esposa.
Pesquisei informações e relatos de pessoas próximas, do círculo de amizade do casal. Eles estavam separados desde o final de novembro de 2025. Na prática, já não eram mais marido e mulher. Dormiam em quartos separados, quando ela ainda dormia na casa.
Por todos os motivos, repito: nada, absolutamente nada, justifica a atitude criminosa e covarde cometida por esse homem.
Perverso, covarde, egoísta, emocionalmente fraco, um homem desprezível e sem caráter. Um muleque. Desprovido de amor pelos próprios filhos.
E por que posso falar sobre esse assunto com propriedade?
Minha ex esposa me traiu. Diferentemente de Sarah, a minha ex não havia saído de casa e, para mim, tudo parecia normal. Fui pego de surpresa. Totalmente.
Foi um choque? Lógico.
Chorei? Claro.
Fiquei sem rumo? Com certeza.
Entrei em depressão? Absolutamente.
Pensei em matar o homem com quem ela me traiu? Muitas vezes. Teria coragem para fazer isso? Com muita facilidade. Ainda sairia para comemorar.
Agora…
Pensei em matar Daniela? Nunca.
Pensei em matar minha Sarah? Jamais.
Pensei em matar Beatriz? Em hipótese alguma.
Mesmo enfrentando uma tristeza profunda, sentindo-me arrasado, desprezado, ofendido e humilhado, nunca passou pela minha cabeça fazer qualquer mal às minhas filhas.
Nem por um milésimo de segundo.
Hoje, em relação à minha ex esposa, estou verdadeiramente em paz. Ela está perdoada. Oro por ela quase todos os dias e torço para que encontre paz também. Confiar novamente e voltar? Impossível.
Mas jamais fiz ou farei algo que desonre minhas filhas, inocentes e totalmente puras. Elas são as únicas que não têm absolutamente nada a ver com o fim do meu casamento.
Como eu poderia fazer mal à carne da minha carne, ao sangue do meu sangue? Como cometer qualquer crueldade contra meninas que amei, amo e sempre amarei? Meninas cujas fraldas eu troquei, que levei à igreja, à escola, aos médicos, em viagens e passeios?
Eu não seria louco.
Quando me divorciei, enfrentei decepção, dor, tristeza, depressão, abandono e solidão. Enfrentei tudo de cabeça erguida, como um homem rejeitado, mas consciente de que minhas filhas jamais poderiam pagar por erros que não cometeram.
Porque a dor de um adulto nunca pode se transformar em sentença contra crianças inocentes. Quem ama protege. Quem é pai de verdade assume sua dor, mas jamais transfere sua revolta para aqueles que deveriam ser sua maior responsabilidade e seu maior amor.
Léo Vilhena





