Há mais de duas décadas eu carrego um fardo. Um peso. Um cara chato pra caramba. Meu irmão, meu amigo, meu sócio, meu mestre, meu professor e meu conselheiro. Meu ‘espinho na carne’… hahahaha
Por que eu não o mando para aquele lugar? Porque eu o amo demais. Não sei viver sem ele ao meu lado. E ele ser chato é problema dele.
Eu vivo feliz, alegre, brincando e sacaneando irmãos e amigos vinte e oito horas por dia. Se ele quer ser chato, o problema é dele.
Mas por que comecei esse texto falando sobre isso?
Porque, desde 2003 ou 2005, esse ratinho de Tatuí me enche o saco dizendo que a maioria dos meus textos é indireta ou recado para alguém.
Hahaha… Muito imbecil.
Confesso, eu fazia isso aos vinte e dois anos, talvez até os trinta. Hoje em dia, estou pouco me importando com o que pensam de mim. E o pior é que ele sabe disso. Meu ‘espinho na carne’. Eu cago e ando para o que as pessoas pensam de mim.
Como digo a ele todos os dias, ele é muito chato.
Por isso, este texto não é um recado, desabafo ou indireta. Está em negrito de propósito, para ver se as pessoas entendem.
Hoje é 04/03/2026, fui dormir bem depois da meia noite e, às cinco e doze da manhã, já estava no escritório trabalhando.
Nunca foi pelas pessoas. Sempre foi por mim.
É sobre a minha postura, não sobre a reação dos outros.
Quando me proponho a fazer qualquer coisa, repito, qualquer coisa, não sei fazer pela metade. Não sei fazer de qualquer jeito. Não sei fazer mal feito. Muito menos fazer por fazer.
Nunca foi pelo outro. É e sempre foi por mim.
Entenda:
Eu tenho que fazer o melhor.
Eu tenho que dar o meu melhor.
Eu tenho que buscar ser o melhor.
Se consigo? Não sei.
Se sou? Acho que não.
Mas esse é o meu alvo.
Entre os anos 2000 e 2010, fui obrigado a fazer acompanhamento com um psiquiatra. Ele me diagnosticou como Workaholic em grau crônico, quando a pessoa é viciada e age com compulsão pelo trabalho. Eu só penso em trabalho.
Se eu não tiver uma meta, um desafio e um objetivo, eu travo por dentro. Eu preciso de propósito.
Transpiro trabalho. Viciado nível hard. Trauma? Pode ser…
Hoje estou no ‘meu canto’. Amo o que faço. Tenho prazer em ficar quieto, trabalhando em home office no ‘meu canto’. É consequência dos quatro AVCs, três infartos e dois comas.
Me arrependo?
Nem fudendo…
Faria tudo de novo. Exatamente igual. Talvez até mais intenso.
Hoje, estou empenhado em fazer uma marca regional que já é grande conquistar o Brasil e o mundo. Nacionalizar e internacionalizar.
Se estou conseguindo?
Não sei.
O painel de estatísticas da gigante Hostinger vai responder:


Você acha que esses painéis (prints) são forjados? Liga para a Hostinger e pergunta. Não seria babaca de fazer isso…
Mas, ao ver esses dados, o sentimento é de dever cumprido.
Já alcancei meu objetivo?
Porra nenhuma. Leva meses, às vezes anos, para consolidar uma marca regional em nacional e internacional.
Vou desistir?
Porra nenhuma.
Eles me honram e me ajudam?
Óbvio que sim. Mas nunca foi por eles. Sempre foi e é por mim. Ah, e pelo Caramelo…
EU tenho que dar o meu melhor.
EU tenho que fazer o meu melhor.
EU tenho que buscar ser o melhor.
O resto, como dizem, é resto.
Recordo que, entre 2001 e 2003, fui preposto e estagiário da MABE, dona de marcas famosas de eletrodomésticos. Tenho 3 cartas de Juízes, com quem trabalhei, afirmando que fui o melhor estagiário de todos os tempos. Como estagiário, eu era o MEDIADOR de Audiências de Conciliação do Fórum de Olaria, no Hell de Janeiro.
Na MABE, eu saía de Vaz Lobo às quatro e meia da manhã, caminhava cerca de um quilômetro e meio até o metrô em Vicente de Carvalho, linha dois. Hell de Janeiro. Chegava à Cinelândia às cinco e meia, tomava café no Bar Amarelinho, nem sei se ainda abre tão cedo, e às seis em ponto já estava no escritório.
Eu abria tudo. Fazia o café. Ligava os computadores. Tirava o lixo. Organizava as estações de trabalho. Quando a chefia e os demais colaboradores chegavam às oito, tudo estava em ordem.
Até que, em certo dia, minha chefe disse que não poderia mais pagar minhas horas extras. Eu invariavelmente saía às dezenove ou vinte horas, sendo que o escritório fechava às dezoito.
O que eu fiz?
Nada. Continuei a minha rotina.
Nunca foi por eles. Sempre foi por mim.
Hoje, em março de 2026, apesar de trabalhar no meu escritório, um baita escritório, às vezes vou até a sede e por lá também fico no ‘meu canto’. Por que eu vou? É lá que tenho meus melhores ‘insights’. É lá que as ideias surgem com mais força. Ao respirar aquele ar, ao observar as pessoas, ao perceber como os líderes agem, eu aprendo. E, claro, também como e bebo bem pra caramba. É a melhor gastronomia de minha cidade.
Estou gordo?
E daí? Quando foi que isso me definiu?
Minha ex, mãe das minhas filhas, Daniela, Sarah e Beatriz, disse que eu estava gordo, velho, feio e pobre, além de doente, por causa das sequelas.
Sofri?
Muito.
Chorei?
Muito mesmo.
Hoje?
Dou risada.
Sigo minha vida. Quem é corna hoje em dia? Hahahahahaha…
É sobre a minha postura, não sobre a reação dos outros. Nunca foi pelos outros.
No fim das contas, disciplina constrói o que emoção nenhuma sustenta. E quem trabalha por propósito não depende de validação externa, depende de coerência diária entre discurso e prática. Vou continuar respirando trabalho.
Recado? Indireta? Porra nenhuma, acordei e deu vontade de escrever.
Abraços…
Léo Vilhena
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Sobre o autor
Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.
Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.
Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.
Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.
"Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"
NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.