Há muitas lacunas nessa prisão de Bolsonaro. Nada fecha, nada se encaixa, nada é coerente. As narrativas mudam, os fatos não batem, as versões se contradizem e as justificativas parecem escritas às pressas, como quem tenta remendar um barco afundando com fita adesiva.
E o mais impressionante é que querem que o país inteiro aceite tudo isso sem questionar.
Se levantar dúvidas virou crime, então estamos diante de algo muito maior do que uma prisão. Estamos diante de uma verdade incômoda que tentam empurrar para debaixo do tapete. E quando o poder tem medo das perguntas, é porque as respostas sempre foram um problema. #Fato!
Entenda o que me motivou a escrever este texto. Eu até acredito que seja difícil acolher um pedido singelo em um momento de turba em nossos corações, diante de tamanha injustiça cometida contra o melhor presidente que o Brasil já teve, Jair Messias Bolsonaro.
Porém, parafraseando meu irmão Mário Frias, a quem atribuo ser uma das vozes mais sensatas, inteligentes e elegantes da Direita brasileira, ao pedir calma, frieza e cálculo nos próximos passos, é preciso lembrar que qualquer passo em falso cairá na conta do capitão.
Pensando nessa introdução, este texto é apenas um desabafo e uma reflexão sobre situações que estão me consumindo.
A prisão em regime fechado de Jair Bolsonaro, a meu ver, está mais para um sequestro do que para uma prisão, e digo isso baseado nas alegações que motivaram essa decisão absurda. Alegações incoerentes, desnecessárias, frágeis e desproporcionais.
Alegar risco de fuga? Risível. Se ele cogitasse fugir, por que teria voltado ao Brasil, se estava bem e em segurança nos Estados Unidos?
Falar em reunião armada? Desprezível. Desde quando uma vigília de oração é considerada reunião armada para facilitar uma suposta fuga? É de uma psicopatia alarmante. É nesse nível que estamos enfrentando?
Dizer que ele tentou remover a tornozeleira com um ferro de solda? Jesus… Um alicate de bico fino resolveria o problema sem risco de queimadura. Próxima narrativa, porque essa não colou.
Mas o que me angustia, além do próprio sequestro, são lacunas sem respostas:
Onde estava Michelle Bolsonaro?
Um dia antes, Carlos Bolsonaro afirmou que o presidente teve uma noite difícil, e na noite seguinte ele o deixaria sozinho? Isso não faz sentido e sei, com absoluta certeza, que jamais o destemido Carlos Bolsonaro deixaria o presidente sozinho.
Ninguém fala da Laurinha. Ela ficou sozinha? Sumiu?
E a filha mais velha da Michelle? Não estava lá para acudir e proteger a irmã?
Deixaram o presidente sozinho? Impossível.
Trocaram a tornozeleira por volta de meia noite e, de repente, aparece a mesma tornozeleira queimada? As 06h00 da manhã? Ele não teria dito que tentou rompê-la à tarde do dia anterior? Então por que estaria usando a mesma?
São informações que não fazem sentido algum. Muitas coisas estão sem explicação e envoltas em névoas.
E o mais curioso é que, enquanto o país afunda em incoerências tão cristalinas quanto um pântano, ainda há quem trate tudo isso como normalidade institucional.
Deve ser a mesma normalidade que faz chover em céu azul e garante que o sol nasça no oeste. No fim das contas, talvez o que esteja realmente sendo testado não seja a paciência do povo, mas a lógica humana. E essa, ultimamente, anda perdendo de lavada.
O que sei, é que existem inúmeras lacunas sem respostas.
Ponto.
Léo Vilhena





