Querida, honestidade não é uma virtude. Honestidade é uma obrigação

De verdade, nem sei por onde começar este texto. Hahahaha.

Todo jornalista ama contar uma boa história, por isso me tornei jornalista. Amo tagarelar e interagir.

Amo ouvir história e detesto ouvir estórias.

Não sabe a diferença? Joga no Google. Hahahaha.

Vou falar algo gritando. NÃO ESTOU FALANDO DA MINHA VIRTUDE OU BOA ÍNDOLE. Esta história não se trata disso. O que eu quero contar é que, sempre, sendo beneficiado ou não, ou mesmo tendo ou não recebido um presente, devemos ser honestos em toda e qualquer situação.

Compreendeu isso?

Está claro?

‘Simbora’ para a história.


Passei o dia em uma boa companhia, mulher e gostosa, mas ela foi embora. Deitei e apaguei. Quando acordei, faltavam cinco minutos para começar o jogo entre VASCO e Merdafogo.

Quem me conhece sabe da minha paixão pelo Vasco. Até uma tatuagem gigante eu tenho no braço esquerdo. Vasco

E quem me conhece mais de perto sabe do drama que estou vivendo. Há oito meses sem salário do Governo do Estado do Rio, que cismou que tenho que fazer nova perícia médica para provar a minha incapacidade definitiva, sequelas da sucessão de AVCs que sofri. Ainda não consegui fazer os exames: R$ 1.200,00

Meu laudo é ‘Sequela Neurológica Definitiva’, mas os imbecis da ‘RioPrevidência’, instituto de securidade do governo carioca, estão me exigindo novos exames. Como se a ‘lesão cerebral’ fosse desaparecer. Hahahaha.

Enquanto isso…

Ontem, dia oito, faltando cinco minutos para começar o clássico em São Januário, eu estava com muita fome e na carteira tinha noventa e nove reais, e nada mais.

Liguei para uma pizzaria aqui perto de casa, que vende uns lanches do outro mundo, e mesmo com pouca grana pedi um X Burguer sem queijo e um guaraná.

Total do pedido. R$ 43,00 (Quarenta e três reais).

Quando perguntei se o pedido estava fechado, visando pagar, a atendente chamada Ana, uma voz maravilhosa, me disse que estava pago.

Gelei.

Como assim, pago?

Ela disse que era uma cortesia da dona daquela ‘budega’. Hahahaha.

A dona é uma mulher maravilhosamente linda, gostosa, por quem sou apaixonado, que me causa calafrios e sonhos. Hahahaha.

Piadas de fora, quem me conhece sabe qual foi a minha reação. Chorei de gratidão.

Agradeci a Deus pelo presente, pelo benefício e pela generosidade daquela mulher maravilhosa e gostosa. Já disse isso?

Dobrei os meus joelhos e agradeci à Deus. Levo a sério a minha fé em Deus.

Começou o jogo.

No intervalo chegou a comida.

Comi sorrindo de orelha a orelha.

Depois assisti à final do Super Bowl e fui dormir.

Acompanhado de outra pessoa. Hahahaha.

Mulher, lógico.


Segunda feira, às sete horas da manhã.

Acordei, tomei café, trabalhei até as dez horas e quarenta e cinco minutos, e o telefone tocou.

Era o entregador do Hipermercado Amigão, para fazer a entrega do que eu havia comprado no sábado (07) à noite.

Ele chegou e lembrou de mim. Ele faz entregas aqui em casa desde quando trabalhava em outro mercado.

Confesso que não me lembrava dele. E eu vou lembrar de homem? Sai fora.

Não sou baitola. Se fosse mulher… hahahaha

Ele foi embora e comecei a desembalar as compras para guardar, até porque havia ‘coisas’ de geladeira.

Arroz.

Arroz de cinco quilos.

Hahahahahahahaha.

Que idiota. Na despensa já tenho seis quilos de arroz e comprei mais cinco?

Hahahahahahaha.

Foi quando me toquei. Eu não comprei e nem paguei arroz.

Veio errado no meio das compras.

Tentei ligar para o hipermercado, mas o telefone só dava ocupado.

Recorri ao WhatsApp. Por lá eles têm dois canais de atendimento. Pelo sim, pelo não, acionei os dois e contei a minha história.

‘Bla bla bla bla bla’.

Gentilmente, uma menina, sempre elas, disse assim para mim.

– “Parabéns pela sua honestidade”.

Dona Luci, falecida mãe, e dona Angelina, falecida avó, uma segunda mãe, até na base da porrada, hahahahaha, me ensinaram a ser honesto em tudo e em todo o tempo. A melhor forma de honrar a vida das duas mulheres que me fazem muita falta é ser o homem mais honesto deste mundo.

Em tudo.

E sou. Foda-se.

Certo ou errado, beneficiado ou não, a honestidade e a sinceridade extrema são a minha forma de honrar a memória e as almas de dona Luci e dona Angelina.

Respondi para aquela doce mulher do Amigão.


– Querida, honestidade não é virtude. Honestidade é uma obrigação. Mesmo assim, muito obrigado.


Vieram recolher o saco de arroz de cinco quilos que custava R$ 23,90 (vinte e três reais e noventa centavos).

Ah, e o Vasco ganhou. Dois a zero.

Léo, sequelado, mas homem com H, Vilhena
Nota: Eu gosto é de mulher…


Prints das conversas:

CONVERSA 1

CONVERSA 2

 


CONTINUAÇÃO DA CONVERSA 2

Autor

  • Sobre o autor

    Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.

    Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.

    Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.

    Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.


    "Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"


    NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.

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