Pensei muito se deveria escrever este artigo. Em meio a tantas reflexões, lembrei-me de algo que sempre afirmei em diversas situações ao longo da minha trajetória. Falar a verdade, se posicionar com clareza, não ficar em cima do muro e expor aquilo em que acredito são pilares que escolhi defender e seguir.
Por isso, com muito respeito, serenidade e compromisso com a realidade, decidi expressar o que penso sobre a Revista Timeline.
Não se trata de ataque pessoal, nem de desmerecer esforços individuais, mas de uma análise honesta, construída a partir da minha experiência, da minha visão crítica e do meu entendimento sobre jornalismo, comunicação e responsabilidade editorial.
Acredito que o debate aberto, quando feito com educação e argumentos, fortalece ideias, amadurece projetos e contribui para o crescimento de todos os envolvidos. Silenciar por conveniência nunca foi uma opção para mim, especialmente quando se trata de princípios que considero fundamentais.
Escrever este artigo é, acima de tudo, um exercício de coerência. Coerência com aquilo que penso, com aquilo que defendo publicamente e com o compromisso que assumi comigo mesmo de não abrir mão da verdade por conforto ou aceitação. O leitor merece transparência, e é a ele que devo lealdade.
SOBRE A REVISTA TIMELINE
Relevante, bem construída, essencial e sincera. Um oásis em meio a um tsunami de mentiras, onde a clareza se impõe e a verdade encontra espaço para respirar.
Em tempos de ruído excessivo e narrativas distorcidas, programas assim não apenas informam, mas restauram a confiança do leitor e reafirmam o valor da honestidade intelectual.
Luís Ernesto Lacombe tem uma carreira sólida, longeva e extremamente relevante. Passou pelas maiores redações do país, é culto, elegante e profundamente inteligente. Um verdadeiro pilar da Revista Timeline, alguém cuja trajetória inspira respeito e credibilidade.
Max Cardoso, para mim, é um profissional talentoso e equilibrado, que destoa da maioria dos jornalistas de opinião. Sempre sereno, com análises ponderadas e uma leitura cuidadosa dos fatos, transmite clareza e sobriedade em seus comentários.
Alexandre Ramagem… É o cara. Seu drible na inJustiça é digno de Hollywood.
Allan dos Santos, por sua vez, é um profundo conhecedor dos bastidores da política brasileira. Isso é inegável. Extremamente inteligente. No entanto, acaba se perdendo ao externar mágoas, dores e traumas evidentes em seus rompantes. Questiono qual é o objetivo ao atacar Michelle Bolsonaro, criar polêmicas desnecessárias e repetir exaustivamente frases como “estou no exílio, sou um perseguido político, sofro perseguição…“.
A repetição constante esvazia o discurso e transforma a denúncia em ruído.
Há cerca de dois anos, tive uma séria decepção pessoal com Allan dos Santos. Fui conversar com ele de forma amigável, no reservado do X, para relatar um fato ocorrido no dia anterior. Evito Spaces porque, após quatro AVCs, minha voz ficou com sequelas. Ainda assim, naquele dia, participei a convite.
Durante o debate, uma pessoa não identificada, usava foto aleatória e um pseudônimo, o atacou e afirmou, de forma direta, que Allan dos Santos teria um “passado tenebroso” em Nova Iguaçu e Madureira, no Rio de Janeiro, inclusive envolvendo drogas e tráfico.
Aquilo me deixou profundamente incomodado por vários motivos. O principal deles foi pessoal. Meu pai, antes de falecer, morou durante anos na Posse, em Nova Iguaçu. Passei muitos finais de semana na Rua Doutor Manoel Ferreira Campar e jamais ouvi qualquer menção a esse suposto passado. Meu pai conhecia bem o submundo da Posse e era conhecido na região.
Fui além. Sou cria de Vicente de Carvalho e Vaz Lobo, bairros diretamente ligados a Madureira. A turma da Agrário de Menezes, naquela época, sabia do que eu era capaz,
Se existisse um passado tenebroso naquela região, seria, em comparação ao Allan, quase um passeio no parque se comparado ao que vivi e aprontei nas décadas de 1970 e 1980.
Por isso, defendi com veemência o Allan, rebati as acusações e o acusador leviano acabou saindo da sala. Repentinamente.
Ao relatar tudo isso ao Allan, recebi como resposta, de forma ríspida, que ele “não precisava de defesa e que não havia pedido que ninguém o defendesse“. Foi ríspido e grosseiro.
Aquela reação me marcou negativamente e mudou minha percepção pessoal. Jamais olhei o Allan com admiração, que antes nutria. Mesmo com dificuldades motoras, outras sequelas, dobrei meu joelho e orei pela filha do Allan durante meses e não me arrependo. Allan era mais do que um herói, era um símbolo.
Comecei a assistir à Revista Timeline, até cogitei ser membro fundador, mas, recuei. Não tenho estômago nem paciência para suportar a vitimização diária e os rompantes de tentar vencer no grito sempre que surge uma contrariedade. Diante disso, passei a me perguntar “por que o Lacombe permite que essa postura se mantenha no programa?”.
Se a máxima é verdadeira e os incomodados que se mudem, foi exatamente o que fiz. Mudei e parei de assistir.
Não aguento “Estou no exílio, somos líderes de audiência, só aqui você ouve verdades…”.
Em tempo, não seja a tua boca que te louve, mas a do outro
“Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios.” Provérbios 27:2.
Você não precisa ficar falando de suas virtudes, defeitos, qualidades ou situações dia após dia. As pessoas já sabem quem você é, e a própria Bíblia orienta a deixar que o outro fale a teu respeito.
Quando alguém sente a necessidade constante de reafirmar a própria condição, seja de vítima, de perseguido ou de referência moral, algo se perde no caminho. A repetição excessiva não fortalece a verdade, apenas desgasta o discurso.
Afinal, quando a verdade é sólida, ela se sustenta sozinha. Não precisa ser proclamada o tempo todo, nem reforçada à força. Ela aparece nos gestos, nas atitudes e na coerência entre discurso e prática.
A menos, é claro, que exista a intenção de provar ou estabelecer como verdade algo que, no fundo, talvez não seja tão verdadeiro assim. Nesse caso, a insistência deixa de ser virtude e passa a ser sinal de insegurança.
A sabedoria bíblica é clara ao ensinar que o reconhecimento genuíno vem de fora, não da autopromoção. Quem confia na verdade não grita, não repete, não implora por validação. Simplesmente permanece firme, e o tempo se encarrega de revelar quem é quem. O Max Cardoso sabe que isso é verdade.
Esta crítica não nasce de ressentimento, mas de frustração. Frustração ao ver um projeto com potencial relevante se perder em excessos que afastam parte do público.
Jornalismo forte não precisa de gritos, nem de vitimização constante. Precisa de equilíbrio, responsabilidade e compromisso com a verdade. É isso que espero, como pessoa e como profissional da comunicação.
Com profundo respeito,
Léo Vilhena





