Um resumão dos meus 55 anos

É Deus… quem diria que eu chegaria aos 55 anos. É só por Ti.

Jesus, é pela Sua graça.

Espírito Santo, é pela Sua misericórdia.

Ah, Seu Beto, por que o senhor se foi tão cedo?

Oh, Dona Luci, que falta a senhora me faz…

Dona Angelina, Seu Milton, Seu Antônio e Dona Perolina.

Todos vocês já partiram e me deixaram aqui.

Carol… 😭

Sou a prova viva de que os planos de Deus são muito diferentes dos nossos. Quem completaria 55 anos tendo sobrevivido a 4 AVCs, 3 enfartos, 1 coma, vários assaltos no Rio de Janeiro? Quem sobreviveria à vida vassala e criminosa que eu tinha? Fui bandido até meus 18 anos, ou 17 anos, nem lembro mais. Mudei de vida e sobrevivi às falsidades, traições, ingratidões, aos enganos, à possibilidade de contrair AIDS por causa da vida promíscua que eu levava…

Fracassos dos quais não me orgulho.

Eu sei muito bem de onde o Deus trino me tirou. Eu era pior do que um bicho, eu era um monstro. Só não virei dependente. Drogas e álcool nunca foram meus problemas. Minhas dívidas eram outras: mulheres…

É Deus, ficou tudo para trás. Mesmo com muitas dificuldades, mesmo com muitas sequelas, hoje ando de cabeça erguida…

Como agradecer pelos bens que tens feito a mim?

Obrigado, Jesus.

Obrigado, Senhor.

Obrigado, meu grande amigo.


55 vezes, obrigado 🫂

Livin’ la vida louca… Apenas um grande resumão…

55 motivos agradecer e chorar ⬇️


1971 Nasci em Madureira as 16h45

1972 Fomos morar em Vaz Lobo

1973 Fomos morar em Vicente de Carvalho

1974 Meus pais se divorciaram

1975 Um cachorro com a doença da raiva invadiu a nossa casa

1976 Fomos passar um tempo na casa da minha avó Angelina, em Brasília

1977 Fomos conhecer o Nordeste

1978 Fomos conhecer a Argentina e assisti ao vivo à minha primeira Copa do Mundo

1979 Fomos conhecer o Paraguai

1980 Fomos conhecer o Circuito das Águas, em Minas Gerais

1981 Fui internado em estado grave no Hospital Iaserj. Tive paralisia e fui estuprado por um professor da Escola Dominical da nossa igreja. IECVC… Contei para o meu pai, e o professor virou camiseta. Não igreja ninguém me deu apoio. Eu tinha apenas 10 anos…

1982 Assisti à minha segunda Copa do Mundo

1983 Meu avô Antônio morreu

1984 Fui expulso do primeiro colégio (Não vou comentar dos outros 2)

1985 Comecei a andar com bandidos da Zona Norte do Rio. Passei a ser temido em minha região.

1986 Assisti pela televisão à minha terceira Copa do Mundo

1987 Comecei a assaltar e quebrar carros por pura ‘diversão’.

1988 Passei a assaltar bancos (2) em Madureira

1989 Aceitei Jesus Cristo e larguei a vida bandida. Foi uma obra divina e o responsável foi o pastor Josias Amandula. Passei no concurso da Marinha. Fiquei noivo da Ismailda. Me formei em programador pelo CEOP.

1990 Fui graduado em fuzileiro naval e atirador de elite. Assisti no quartel à minha quarta Copa do Mundo

1991 Fui servir no Cresumar

1992 Fui servir no Comando de Apoio

1993 Pedi baixa da Marinha e fui para a Civil

1994 Assisti à minha quinta Copa do Mundo ao lado de mainha

1995 Bandidos abatidos viraram riscos na parede da delegacia. Me arrependo de ter feito poucos riscos na parede. Nunca caiu trabalhador, mas, bandidos e estupradores…

1996 Fui expulso da Civil

1997 Minha avó Perolina morreu e conheci a Rosemere

1998 Assisti à minha sexta Copa do Mundo. Brenno nasceu, meu primogênito. Lancei o meu primeiro livro: ERREI, E AGORA?

1999 Adotei a Carol e me formei em Psicologia

2000 Me formei bacharel em Teologia e fui consagrado a pastor no dia 31 de Aogsto as 20h pelo reverendo Caio Fábio D’ Araujo Filho

2001 Me formei em Jornalismo. Assumi como pastor auxiliar da igreja de Copacabana.

2002 Assisti à minha sétima Copa do Mundo. Leonardo nasceu. Gravei meu primeiro CD com a Banda Vida Abundante. Produzi, cantei e toquei

2003 Gravei meu segundo CD. Rosemere perdeu um bebê no Dia das Mães

2004 Assumi como pastor auxiliar da Igreja de Cascadura

2005 Me separei da Rosemere e voltei a morar em Vicente de Carvalho

2006 Não fiz questão de assistir à Copa do Mundo

2007 Morreram meu pai, meu avô Milton e meus amigos Jerônimo e sua esposa Raquel. Conheci a Andréa. Passei a visitar Curitiba todos os anos

2008 Fiquei noivo da Andréa. Ela morreu em um acidente de moto

2009 Fiquei internado com depressão

2010 Não fiz questão de assistir à Copa do Mundo. Fui morar na Alemanha a trabalho, em Frankfurt e Berlim

2011 Fui morar em Pernambuco. Assumi como pastor auxiliar na igreja de Caruaru

2012 Fiquei noivo da Sônia

2013 Voltei para o Rio de Janeiro. Fui morar em Curitiba a trabalho. Fui morar em Campo Grande por vontade própria. Conheci a Anne.

2014 Carol morre em um acidente. Não fiz questão de assistir à Copa do Mundo. Nasceu a Sarah, minha princesa. Fomos morar em Londrina.

2015 Campo Grande. AVC. Nasceu a Beatriz, meu xodó 

2016 Campo Grande. AIT

2017 Campo Grande e Tupã, SP. AVC e coma

2018 Marília, SP. AVC. Não fiz questão de assistir à Copa do Mundo

2019 Marília, SP. AVC

2020 Marília, SP. Enfartos. Cateterismo

2021 Marília, SP. Conheci a mulher mais desprezível deste mundo. Fui contratado por uma empresa da Flórida

2022 Marília, SP. Voltei a assistir à Copa do Mundo com mainha. Foram momentos incríveis.

2023 Marília, SP. AIT. Mainha começou a ficar debilitada, Colocou marcapasso.

2024 Marília, SP. No dia 31 de agosto, às 21h, no sofá da minha sala, partia serenamente Dona Luci, minha mãe

2025 Marília, SP. AIT

2026 Marília, SP… 55 anos 🥹 Não vou assistir à Copa do Mundo. Alegrias e decepções com quem achava que era amigo e amiga…

É isso…


Autor

  • Sobre o autor

    Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.

    Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.

    Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.

    Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.


    "Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"


    NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.

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