O outro não é propriedade.

Eu creio, com muita convicção, que artigos de opinião não têm força suficiente para mudar atitudes e pensamentos de quem não está suscetível, ou sequer aceita mudanças. Ou, ainda, de quem não reconhece que precisa mudar. Mesmo assim, continuamos escrevendo, muitas vezes por desencargo de consciência, ainda acreditando em algo maior, talvez até em milagres, na esperança silenciosa de que, em algum momento, uma única palavra encontre terreno fértil e faça diferença.

Mas do que eu estou falando?

Tenho moral para abordar esse assunto porque, em dois relacionamentos, um menos estável e outro totalmente estável, tive o desprazer de ser surpreendido pela velha ideia de que a grama do vizinho é mais verde.

E qual foi a minha reação?

Sou homem o suficiente para dizer que a primeira reação, depois da surpresa e susto, foi chorar. Meu choro não foi de indignação nem de autoestima ferida. Orgulho ferido? Nada disso. Foi a dor de ver quebrada a confiança extrema que eu tinha nela.

Eu confiava acima de qualquer situação. Ainda assim, nada me dava o direito de agredir, machucar ou sequer cogitar algo pior.

Não fiz, não faria e não farei isso com ela, nem com nenhuma outra mulher com quem eu venha a me relacionar, mesmo reconhecendo que hoje já não tenho mais a mesma vontade de me envolver novamente com nenhuma mulher.

Mulher.

Marido, noivo, namorado ou ‘ficante’ não é dono de nenhuma mulher. E o contrário também é verdadeiro.

O outro não é propriedade.

Machucou? Quebrou a confiança? Doeu? Decepcionou?

Sim, eu senti tudo isso. E também senti raiva, mas uma raiva contida. Ainda assim, nada disso me autorizava a ferir ou destruir alguém. Tanto que não fiz.

E mereço parabéns por isso?

Claro que não. Agir assim não é virtude extraordinária. É postura, caráter e respeito. E esses valores não são dignos de aplausos, são o mínimo esperado de todo homem de verdade, não no sentido de gênero, mas no sentido de caráter.

E talvez seja justamente aí que muitos ainda falham. Não por falta de sentimentos, mas por ausência de domínio próprio, de responsabilidade emocional e de consciência sobre o valor da vida e do respeito ao outro, mesmo diante da dor.

Meu recado à todas mulheres: gritou, berrou, humilhou, cuspiu, agrediu de todas as formas e espancou? Procure imediantamente uma delegacia, não caia no “estou arrependido ou estava nervoso”. Quem faz uma, faz duas, três, quatro, cinco….

Léo Vilhena

Autor

  • Sobre o autor

    Léo Vilhena é fundador da Rede GNI e atua há mais de 25 anos como jornalista e repórter, com passagens por veículos como Jornal Unidade Cristã, Revista Magazine, Rede CBC, Rede Brasil e Rede CBN/MS. Recebeu o Prêmio de Jornalista Independente, em 2017, pela reportagem “Samu – Uma Família de Socorristas”, concedido pela União Brasileira de Profissionais de Imprensa. Também foi homenageado com Moções de Aplausos pelas Câmaras Municipais de Porto Murtinho, Curitiba e Campo Grande.

    Foi o primeiro fotojornalista a registrar, na madrugada de 5 de novembro de 2008, a descoberta do corpo da menina Raquel Genofre, encontrado na Rodoferroviária de Curitiba — um caso que marcou a crônica policial brasileira.

    Em 2018, cobriu o Congresso Nacional.

    Pai de sete filhos e avô de três netas, aos 54 anos continua atuando como Editor-Chefe da Rede GNI e colunista do Direto ao Ponto, onde assina artigos de opinião com olhar crítico, humano e comprometido com a verdade.


    "Os comentários constituem reflexões analíticas, sem objetivo de questionar as instituições democráticas. Fundamentam-se no direito à liberdade de expressão, assegurado pela Constituição Federal. A liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal brasileira, em seu artigo 5º, inciso IV, que afirma que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"


    NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia e pontuação.

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